Vorcaro negocia depoimento à CPMI do INSS fora de Brasília

domingo, 22 de fevereiro de 2026


Após o Supremo Tribunal Federal permitir que o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, decida se comparece ou não à CPMI do INSS, o banqueiro iniciou negociações diretas com a cúpula da comissão para redefinir a forma de prestar esclarecimentos.

Em conversa com o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), na sexta-feira (20), Vorcaro informou que não participaria do depoimento presencial previsto para segunda-feira (23), mas afirmou que pretende se manifestar.

Segundo apuração, o empresário apresentou duas alternativas. A primeira prevê que ele seja ouvido em São Paulo, onde reside, em reunião restrita apenas ao presidente e ao relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL). A segunda possibilidade é o envio de respostas formais por escrito ao colegiado.

A renegociação ocorre após decisão do ministro do STF André Mendonça, novo relator das investigações envolvendo o Banco Master, que estabeleceu caráter facultativo para a presença de Vorcaro na comissão parlamentar.

Na mesma decisão, Mendonça impôs restrições logísticas ao deslocamento do banqueiro. Vorcaro foi proibido de viajar a Brasília em avião particular, podendo se deslocar apenas em voo comercial ou em aeronave oficial da Polícia Federal.

O movimento amplia o controle do relator sobre a condução do caso e reduz a exposição direta do empresário em sessões públicas, ao mesmo tempo em que mantém a obrigação de prestação de esclarecimentos.

Nos bastidores da CPMI, a estratégia é interpretada como tentativa de administrar riscos jurídicos e políticos diante do avanço das investigações que apuram fraudes bilionárias ligadas ao banco.

A postura também evidencia uma mudança no eixo decisório do caso Master após a troca de relatoria no STF. Com Mendonça, o processo passa a combinar ampliação das diligências com reforço do sigilo e maior centralização das etapas sensíveis da investigação.

A definição sobre o formato do depoimento de Vorcaro deve ocorrer nos próximos dias e tende a se tornar novo ponto de tensão entre comissão parlamentar, Supremo e defesa do empresário — especialmente diante do peso político e financeiro do escândalo.

Fonte: hora Brasilia


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