Delegada Gleide Angelo assume Departamento de Polícia da Mulher e promete combater feminicídio

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Solenidade de posse de Gleide Ângelo aconteceu na manhã desta segunda-feira (10) (Foto: Thays Estarque/G1)
Foto: Thays Estarque/G
A nova chefe da Departamento de Polícia da Mulher de Pernambuco, delegada Gleide Angelo, assegurou, nesta segunda-feira (10), ao tomar posse, que que o foco da gestão será evitar o crime de gênero. "Tenho que combater o feminicídio na primeira agressão, para que a situação não chegue a provocar a morte", afirmou.

Gleide substituiu a delegada Inalva Regina, que ficou no cargo durante um ano e meio. A solenidade ocorreu na sede da Polícia Civil, área central do Recife. Na cerimônia, a delegada agradeceu a confiança do chefe da Polícia Civil, Joselito Kherle do Amaral.

"É mais um desafio. Disse para Joselito que ele não vai se arrepender, porque eu vou fazer o possível e o impossível para fazer o que fizemos no DHPP [Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa]. Feminicídio é um crime cruel e covarde. Você não pode morrer por ser mulher", completou. Ela também enalteceu o trabalho em equipe.
Foto: Bruno Marinho/G1)
O chefe de polícia abriua solenidade de posse justificando a decisão da troca de gestora. Agora, segundo ele, o objetivo do Departamento da Mulher deixa de ser a prevenção e passa a ser uma unidade de combate. "Queremos reduzir o tempo de resposta nos crimes contra a mulher. No caso Mirella, por exemplo, elucidamos o crime em cinco horas", afirmou Amaral.

Ele fez referência ao caso da fisioterapeuta Tássia Mirella Sena, 28 anos, morta no flat onde morava, em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. O crime aconteceu na manhã de quarta-feira (5). Horas depois, o vizinho dela, o comerciante Edvan Luiz da Silva, 32 anos, foi preso. Na residência do suspeito, que já teve a prisão decretada, policiais e peritos encontraram vestígios do crime.

No domingo (9), parentes e amigos da fisioterapeuta realizaram um protesto pelo fim da violência contra a mulher. O ato ocorreu em Boa Viagem. Durante a manifestação, a mãe de Mirella, Suely Cordeiro, disse que Mirella é agora um símbolo da violência contra a mulher e que vai lutar para impedir que novas mortes ocorram.

Presente na coletiva, a secretária estadual da Mulher, Silvana Cordeiro, ressaltou a importância de não poupar esforços para combater a violência contra a mulher. "O Estado brasileiro está devendo à sociedade esse combate. Tem que aperfeiçoar a estrutura e ter mais gente especializa. Principalmente, gente que tenha vontade de mudar essa realidade e de fazer", concluiu.

Dados

De acordo com a Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS), nos dois primeiros meses de 2017 foram registrados 58 assassinatos de mulheres no estado. No mesmo período, ocorreram 2.743 agressões. Atualmente, há dez Delegacias da Mulher implantadas no estado e outras quatro criadas, mas sem implantação por falta de efetivo.

Perfil
Foto: Marlon Costa/Pernambuco Press
Gleide Angelo tem 49 anos e ficou conhecida no estado por desvendar casos de grande repercussão. Um deles foi o assassinato de uma turista alemã, em 2010. Na investigação, ela descobriu uma trama que envolvia o marido e os sogros da vítima, que foram presos e condenados pelo homicídio, ocorrido em São Lourenço da Mata, no Grande Recife, no fim do carnaval daquele ano.

Também desvendou o assassinato da garota Maria Alice Seabra, em 2015. O crime foi cometido pelo padrasto da vítima, em Itapissuma, no Grande Recife. A policial resgatou, com vida, a menina Júlia Alencar, de 1 ano e 9 meses, levada pelo pai para o Norte do Brasil, no ano passado.

Em 2016, a delegada também participou das investigações do caso de Paulo Morato, que se matou em um motel em Olinda. Ele era um dos iinvestigados pela Operação Turbulência, que apurou a relação entre desvio e lavagem de dinheiro público e a compra do avião usado pelo ex-governador Eduardo Campos (PSB), quando morreu, em São Paulo, em 2014.

Ela também atuou na Força-Tarefa de Homicídios. Atualmente, está à frente da investigação da morte da garota Beatriz Mota, assassinada em uma escola provada em Petrolina, no Sertão, em 2015. Mesmo com o novo cargo, ela continuará o trabalho.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Postagem mais recente Postagem mais antiga Página inicial
 
Copyright © 2018. A Serviço da Informação! Gilberto Lima.
Desenvolvido por: Fábio Virgulino.